06/02/2018
Escola em tempo integral amplia atendimento para 4.510 alunos em Rondônia
A proposta da Escola do Novo Tempo é implantar um sistema educacional que rompa com a dinâmica do sistema educacional regular, o comum, cuja eficácia vem sendo bombardeado com críticas pelos especialistas.
O Programa Escola do Novo Tempo chega ao segundo ano em Rondônia como uma política consolidada na área educacional. Em 2018, serão atendidos 4.510 alunos do ensino médio em tempo integral em 11 municípios. A metodologia inovadora é voltada para o projeto de vida dos jovens e a avaliação feita recentemente trouxe resultados positivos.

“A educação em tempo integral tem bons resultados. E estamos trabalhando para melhorar ainda mais”, comemora Adriana Nobre, a coordenadora do Programa Escola do Novo Tempo.

Durante três dias, num hotel da cidade, um apaixonado grupo de educadores avaliou tudo o que foi realizado em 2017, o primeiro ano do Programa Escola do Novo Tempo, que foi criado em Rondônia para desenvolver a meta do governo federal de melhorar o ensino médio. E o resultado não poderia ser melhor.

Durante o encontro, a equipe de implantação, a coordenadora geral, quatro especialistas pedagógicos, de estrutura e gestão, representante de um parceiro do programa, gestores e representantes das coordenadorias regionais de ensino falaram das experiências. As perspectivas para 2108 também foram analisadas. Neste ano, o programa chegará ao Vilhena, o 11º município, na Escola estadual de Ensino Médio e Fundamental Marechal Rondon.

Além de avaliar, o grupo falou abertamente sobre temas como disciplina, pais que não conseguem dar suporte aos filhos nas escolas e drogas. “Elas chegam até ao aluno que você sempre acha que não seria capaz de se envolver”, testemunhou um educador.

INOVAÇÃO

A proposta da Escola do Novo Tempo é implantar um sistema educacional que rompa com a dinâmica do sistema educacional regular, o comum, cuja eficácia vem sendo bombardeado com críticas pelos especialistas.

“Aqui trabalhamos com os sonhos dos jovens, com o seu projeto de vida”, explica Adriana, que se considera uma novata na educação, onde atua há “apenas oito anos”.

Segundo Adriana, o programa, ao enfocar o sonho do aluno, busca dar a ele suporte para os projetos que vão além da escola. Uma das vertentes que decorrem do sistema é a geração de talentos que fluem através dos clubes de protagonismo.

Os clubes são formados por alunos, de acordo com a afinidade de cada um. A música, o teatro e a robótica, por exemplo, estão presentes nas unidades educacionais do programa.

Há, ainda, disciplinas que despertam o autodidatismo e a independência no estudo e na organização para além da escola. Na música, já surgiram talentos que começam a despontar no cenário nacional, segundo a coordenadora.

A implantação do ensino em tempo integral nem sempre é fácil. Há comunidades que resistem com argumentos variados, mas que o temor em relação ao que é novidade. Há situações, entretanto, que os pais pedem o programa, mas as escolas não atendem pré-requisitos definidos pelo Ministério da Educação, como IDH baixo e situação de vulnerabilidade.

O modelo de escola em tempo integral é defendido pelo governador Confúcio Moura, que contesta o sistema atual, que não prepara o aluno para o mercado de trabalho nem para as situações cotidianas. O formato utilizado em Rondônia é similar ao que funciona em Pernambuco com bons resultados.

O programa de fomento ao ensino médio em tempo integral é do governo federal. “O estado de Rondônia fez a adesão e passou a receber investimento financeiro para aplicar em infraestrutura, obras e aquisição de equipamentos”, destaca Adriana Nobre.

Segundo ela, o governo estadual também dá suporte na formação continuada, que é o preparo para atuar na escola, e estrutura física das escolas. Todos os dias os alunos recebem dois lanches e almoço.

O perfil do professor que atua nas escolas em tempo integral também é diferenciado. “Precisa ser atuante, dinâmico e sua presença deve fazer com que o aluno se reconheça no futuro”, argumenta a coordenadora.

Adriana sustenta que o modelo educacional faz do estudante um parceiro e não apenas alguém a quem o professor ensina. “Por isto, o educador tem que aceitar o aluno também participe das atividades administrativas”, esclarece.

PREMIADO

Vencedor do Prêmio Gestão Escolar no biênio 2015-2016, o paranaense Flávio Antônio da Graça, diretor da Escola Estadual Marechal Rondon, também participou da avaliação do primeiro ano do Programa Escola do Novo. 

É que a unidade que Flávio dirige, no município de Vilhena, foi a última a aderir ao programa, o que ele considera outro prêmio.

Como vencedor do Gestão Escolar, Flávio ganhou uma viagem de intercâmbio para conhecer o sistema educacional do Estados Unidos. A experiência, segundo ele, revelou que o Brasil precisa evoluir muito, na valorização profissional por exemplo.

Outro fator que o professor destaca é que os norte-americanos estão abertos para copiar sistemas melhores. “Eles sonham em alcançar, dentro de 20 anos, a eficiência do sistema utilizado na Finlândia”, revela o professor.

Sobre a receita que o levou a ser premiado como gestor, Flávio destaca que tudo foi centrado no trabalho de equipe. “Há gestores que centralizaram o conhecimento e a informação. Na minha escola, trabalhamos de forma que todos tenham participação no sucesso do projeto”, ensina.





 

Fonte: Nonato Cruz
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