19/09/2016
Seca no rio Madeira paralisa transporte de grãos
Segundo a Federação Nacional das Empresas de Navegação Aquaviária, algumas empresas ainda operam, mas com apenas 20% da capacidade de cargas.

As transportadoras de grãos, especialmente da produção graneleira da região Centro-Oeste, estão com as operações paralisadas devido à impossibilidade na navegação pelo rio Madeira, entre Porto Velho e o município de Itacoatiara. Nesta quarta-feira, o nível do Madeira atingiu o ponto crítico de 2,39 metros na região da capital rondoniense, impossibilitando a navegação das balsas. Segundo a Federação Nacional das Empresas de Navegação Aquaviária (Fenavega), algumas empresas ainda operam, mas com apenas 20% da capacidade de cargas.

A hidrovia do rio Madeira é responsável por parte do escoamento da produção de grãos como soja, destinada à exportação. De acordo com o presidente da Fenavega, Raimundo Holanda, o problema quanto à navegação pelo rio Madeira nunca esteve tão crítico. Ele comenta que o rio está assoreado e a falta da dragagem resultou na criticidade da situação. Pelo menos sete cidades e cinco comunidades localizadas à beira do rio Madeira, dentre eles os municípios de Nova Olinda do Norte, Borba, Novo Aripuanã, Manicoré e Humaitá, estão prejudicados por dificuldades no acesso por meio fluvial.

Na primeira quinzena de agosto, as empresas reduziram cerca de 30% da capacidade de cargas transportadas nas embarcações para continuar navegando. Neste mês a situação se agravou o que resultou na paralisação do transporte de grãos. As empresas que operam no transporte de combustíveis operam com no máximo 40% da capacidade das embarcações.

Holanda ressaltou que o ônus gerado ao setor, até o momento, tem sido absorvido pelas empresas de navegação. “A situação é crítica. Nunca tivemos um problema tão sério. O rio Madeira está assoreado e não há investimento para navegarmos com segurança. Foi necessário reduzir a quantidade de cargas e não tivemos como reajustar o valor do frete. O problema está na falta de investimentos pelo governo federal e quem absorve o prejuízo são os armadores”, disse o presidente.

Segundo Holanda, desde o último mês o tempo de viagem no trajeto de Manaus a Porto Velho (RO) dobrou, devido às dificuldades de navegação. Durante a cheia, o tempo de viagem pelo rio Madeira de Manaus a Porto Velho dura em média quatro dias, mas as balsas que transportam combustíveis, grãos e outros produtos estavam navegando sete dias para cumprir o trajeto. Nesta semana, o tempo de viagem de Manaus a Porto Velho passou para até oito dias.
No sentido entre Porto Velho e Manaus a viagem tinha duração média de oito dias. Em agosto o trajeto passou para 15 dias e neste mês o tempo de viagem passou a acontecer em até 20 dias.

O presidente do Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial no Estadodo Amazonas (Sindarma), Galdino Alencar Júnior, salienta que a solução para os efeitos negativos do período da seca seria a realização da dragagem nos pontos considerados críticos. Ele explica que o serviço é de competência do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) que há dois anos não faz a dragagem.

O serviço que estava previsto para este ano só deverá começar em 2017. “Em Manicoré, as balsas petroleiras têm passado com calado de 1,80 metros. As balsas estão operando entre 35% e 40% da capacidade. As embarcações continuam não navegando à noite, que é uma restrição definida pela Marinha. O Sindarma tem ajudado com divulgação diária para as empresas de navegação sobre as condições do rio e nível, o que possibilita a programação de carregamento conforme o calado”, informou Alencar Júnior. “O Sindarma tem cobrado fortemente a questão da dragagem, mas até o momento o serviço não foi iniciado”, completou o presidente do Sindarma.

Dragagem resolve problema

A dragagem periódica no rio Madeira reduziria o assoreamento e os bancos de areia, garantindo as condições de navegabilidade mesmo no período da seca. Outra medida adotada pelo Sindarma em conjunto com a Fenavega envolve o uso múltiplo das águas do rio Madeira. A norma não tem sido cumprida pelas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau. Conforme prevê a lei nº 9.433, a gestão dos recursos hídricos deve sempre proporcionar o uso múltiplo das águas. Assim, todos os setores usuários da água têm igualdade de acesso aos recursos hídricos. As comportas das hidrelétricas chegaram a ser abertas no final de agosto, após a Fenavega anunciar que pretendia ingressar com uma ação judicial contra o consórcio que opera a hidrelétrica para evitar o represamento das águas do rio Madeira nesse período de seca. As entidades informaram a situação para Agência Nacional de Águas (ANA).






 

Fonte: Folha Nobre
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